O prefeito Vicente Pires assinou na manhã desta sexta-feira a ordem de início da duplicação da Avenida Frederico Ritter, principal corredor econômico de Cachoeirinha. As obras serão executadas pela empreiteira Conterra e começam na segunda-feira com a topografia e, em seguida, nos próximos dias, com a etapa de drenagem. As máquinas só devem entrar na pista em 2010.
Principal artéria do distrito industrial do município, a Ritter vai ganhar seis quilômetros de nova pista, ligando a Avenida das Indústrias à RS-118. O custo da obra é de R$ 9 milhões, sendo R$ 4,5 milhões oriundos do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) e R$ 4,5 milhões de recursos próprios da prefeitura. O contrato prevê 540 dias para a execução e integra o pacote de R$ 40 milhões em obras do Programa de Ampliação e Melhoria da Infraestrutura de Cachoeirinha.
Para o prefeito Vicente Pires, o início das obras é um marco para o desenvolvimento da cidade. Ele lembrou que a duplicação é bandeira histórica do setor produtivo local e que nos últimos anos a obra tornou-se uma necessidade inadiável com a chegada de grandes investimentos ao parque industrial. "Nosso distrito nasceu voltado à área metal mecânica, mas hoje tornou-se um pólo logístico, recebendo as principais empresas de transporte do estado", avaliou.
O vice-prefeito Gilso Nunes disse que o tráfego da Ritter estava crescendo acima da média do restante da cidade e a vida dos usuários estava ficando tumultuada. Por isso, a obra era um grande anseio dos investidores, comentou. Engenheiro, o vice aproveitou para cobrar a duplicação da RS-118 no trecho de Cachoeirinha e outras obras importantes para o município, como o acesso da Free Way pela Papa João XXIII e a construção da RS-010, que vem sendo negociada pelo Governo do Estado através de uma parceria público-privada (PPP).
O secretário de Obras, Antônio Teixeira, explicou que sua satisfação na cerimônia era dupla. É que o secretário reside no bairro Sítio Túnel Verde e usa a Ritter todos os dias. "Conheço muito bem aquele trânsito e sei o quanto a duplicação será importante não só para as empresas mas também para a população que reside na área. Estou muito contente como agente público e também como cidadão", disse.
O ato de autorização das obras foi acompanhado por secretários municipais, lideranças comunitárias e empresários. A presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), Neiva Bilhar, representou o setor e considerou a assinatura uma vitória para a entidade, que há anos vem mobilizando industriais, sociedade e governo municipal em busca de melhores condições para o pulmão do PIB local. O ex-prefeito José Stédile, que projetou e negociou o financiamento internacional, também prestigiou a cerimônia. O diretor Renan Schaeffer da Silva representou a Conterra.
SOUZA CRUZ VÊ OUSADIA DO GOVERNO
O gerente de recursos humanos da Souza Cruz, Sérgio Casagrande, comparou o governo municipal a uma grande empresa para avaliar a ordem de início da duplicação da Frederico Ritter. "É como se a prefeitura fosse um empresário ousado. Está fazendo um grande investimento num cenário pós-crise e certamente logo à frente terá um grande retorno", disse ele, elogiando a autorização para as obras.
Maior empresa da cidade, a Souza Cruz enxerga a obra como um grande facilitador da chegada de insumos e escoamento da produção. Os caminhões da empresa cruzam a Ritter diariamente. Para Casagrande, a obra também é um presente aos mais de mil funcionários da fábrica. Para o gerente, a obra vai garantir mais segurança à locomoção dos trabalhadores, já que aqueles que não têm carro precisam usar a via para chegar á empresa.
Em abril, a Souza Cruz inaugurou um novo Parque Gráfico, envolvendo R$ 160 milhões em investimentos e efetivando mais 230 empregos diretos. O departamento tornou o parque a maior gráfica do Rio Grande do Sul e uma das maiores do Brasil.
SAIBA MAIS
. O empréstimo do Fonplata destina-se ao financiamento parcial do Projeto de Melhoria e Ampliação da Infraestrutura Urbana de Cachoeirinha e prevê um valor de US$ 8,9 milhões, com uma contrapartida de 100% por parte do Município.
. Três das principais obras previstas já estão em andamento: a duplicação da avenida Frederico Ritter, a conclusão do Conduto Forçado e o alargamento da Avenida Papa João XXIII. São obras estruturantes por resolverem problemas crônicos que o município enfrenta há décadas devido ao crescimento urbano e por ter uma das maiores densidades demográficas do país.
. O governo municipal luta pelos recursos há mais de dois anos. O processo de planejamento e a busca do crédito internacional iniciaram no governo do ex-prefeito José Stédile, que em oito anos promoveu um grande ajuste fiscal, pagou contas e realizou melhorias nas áreas de asfalto, saúde, educação, segurança e assistência social que permitiram o aval positivo da União.
. Entre os fatores que foram considerados fundamentais para permitir o investimento está o pagamento de uma dívida de mais de R$ 10 milhões herdada da administração do período 1997/2000 e a recuperação do Fundo Municipal de Aposentadorias e Pensões (Fumap), que conforme cálculos atuariais está sanado e garantido por mais de trinta anos com aplicações superiores a R$ 54 milhões.
. A inexistência de precatórios em atraso também faz parte da lista pró-financiamento. Cachoeirinha é um dos dez municípios brasileiros em que a dívida judicial com precatórios encontra-se rigorosamente em dia.