ALERTA!
Falta de diagnostico diminui em 15 anos a vida dos infectados pela hepatite C
Financiado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool dos Estados Unidos foram analisados os históricos de 132.468 mortes registradas no Centro Nacional de Estatísticas da Saúde daquele país, comparando a idade da morte dos infectados com a hepatite C entre aqueles que faziam uso abusivo das bebidas alcoólicas e os que nada bebiam.
Os resultados obtidos sobre a idade média das mortes nos infectados com a hepatite C surpreendem. Mulheres que abusavam do álcool morreram com uma media de idade de 49 anos, contra os 61 anos daquelas que não bebiam. Já entre os homens a idade media daqueles que abusavam das bebidas alcoólicas foi de 50 anos, contra 55 anos daqueles que não ingeriam bebidas alcoólicas.
Os autores explicam que um dos motivos das mortes prematuras dos infectados com hepatite C que abusam das bebidas alcoólicas poderia ser em parte creditado aos protocolos de tratamento, os quais negam o tratamento com interferon a pacientes que continuam utilizando bebidas alcoólicas.
SITUAÇÃO NO BRASIL
Os dados do estudo permitem comparar com a idade das mortes por culpa da hepatite C no Brasil existente na “Lista da Vergonha”, uma relação dos associados falecidos do Grupo Otimismo na internet onde as médias de idade das mortes acontecem aos 58 anos para as mulheres e aos 53 anos para os homens, sem diferenciar bebedores de abstêmios. Uma idade média muito similar a encontrada no estudo realizado nos Estados Unidos, de 53 anos para os homens e 55 para as mulheres.
A idade média no total das mortes por culpa da hepatite C registradas na “Lista da Vergonha” se situa em 56 anos mostrando que a não detecção da doença e a falta de tratamento diminui em 15 anos a vida dos infectados no Brasil ao se considerar que a expectativa de vida do brasileiro segundo dados do IBGE e de 71 anos.
Segundo Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite a simples comparação da idade dos associados do grupo que faleceram pela hepatite C com os dados epidemiológicos do estudo realizado nos Estados Unidos são resultados que não podem ser ignorados, pois se trata de um estudo de grande porte que utilizou ferramentas epidemiologias simples, as quais não podem receber nenhuma contestação. A comparação com a idade dos brasileiros falecidos deve servir como um alerta.
BRASIL POUPARIA UM MILHÃO DE VIDAS COM CAMPANHAS DE DETECÇÃO
O numero de brasileiros infectados pela hepatite C e estimado pelo Ministério da Saúde em três milhões, já a Organização Mundial da Saúde acredita que possam ser quatro milhões e meio. Varaldo alerta que a hepatite C e considerada um “assassino silencioso” por destruir o fígado sem apresentar sintomas sendo, que, a detecção precoce dos infectados possibilita a cura. Acrescenta que o custo da omissão por parte do governo ao não realizar campanhas de divulgação informando sobre a necessidade de detecção precoce da hepatite C gera um custo social e econômico altíssimo, estimando que não realizar campanhas de detecção da hepatite C no Brasil pode acarretar mais de 1.000.000 de casos de cirroses nos próximos 10 anos. Se detectada precocemente, até 600.000 mortes poderão ser evitadas.
A falta de ações por parte do governo e comprovada com as informações oficiais da Secretaria de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde a qual informa que o número de casos de hepatite C notificados e confirmados nos últimos sete anos em todo Brasil (janeiro de 1999 a dezembro de 2005), foi de sete mil e quinhentos por ano, totalizando 52.489 casos da doença.
Comparando os números das series históricas do acontecido com a hepatite C na ultima década, Varaldo tem poucas esperanças sobre a real intenção do governo, já que as estatísticas são do próprio governo e, portanto sem possibilidades de qualquer desculpa ou explicação de qualquer espécie por parte dos gestores. Negar a exatidão dos dados oficiais seria uma confissão de improbidade administrativa do gestor.
Para maiores informações:
Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite
Tel.: (21) 9973.6832
hepato@hepato.com
http://www.hepato.com