O estrabismo é um desalinhamento dos olhos, onde cada um dos órgãos acaba apontando para uma direção diferente. Apesar de ser uma doença que acomete aproximadamente 4% das crianças, pode também surgir na vida adulta. “Este desvio dos olhos poderá ser constante e sempre percebido ou poderá ser intermitente, alternando períodos de alinhamento normal dos olhos e períodos com olhos desviados”, explica a oftalmologista Maria José Carrari, que integra o corpo clínico do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.
O principal sintoma do estrabismo é o desvio de um dos olhos, causando um olhar que não fixa objetos à sua frente. Outras vezes, as crianças desviam os olhos em ambientes muito claros. Poderão também não ter visão em profundidade. Algumas crianças inclinam ou giram a cabeça em uma determinada direção, com a finalidade de manter os olhos paralelos. “Com freqüência, os pais têm a falsa impressão de que o problema da criança foi curado espontaneamente. Mas as crianças não se curam sem o tratamento adequado. Se há suspeita de que uma criança esteja estrábica, é necessário um exame oftalmológico para determinar sua causa e iniciar o tratamento imediato”, alerta Maria Carrari.
Os olhos devem focalizar uma imagem nítida sobre a retina e transmiti-la ao cérebro. Se ambos estão fixando o mesmo ponto, a área visual do cérebro funde as duas imagens em uma única, tridimensional. Esta ação desenvolve a visão em profundidade e a visão tridimensional nos indivíduos. “Quando um dos olhos fica estrábico, duas imagens diferentes são enviadas para o cérebro. Nas crianças com pouca idade, o cérebro aprende a ignorar a imagem do olho desviado, passando a receber somente a imagem do olho não desviado ou de melhor visão. Ou seja, o estrabismo provoca a perda da visão tridimensional na criança”, explica a médica, especializada em oftalmopediatria.
O paralelismo dos olhos durante a infância permite o desenvolvimento de uma boa visão em cada olho. O estrabismo na infância, se não for tratado precocemente, pode provocar uma baixa visual ou o aparecimento da ambliopia. “A ambliopia acomete aproximadamente 50% das crianças estrábicas. Inicia-se quando o cérebro reconhece apenas a imagem do olho de melhor visão e ignora a imagem formada pelo olho amblíope, que apresenta o estrabismo”, explica a médica. A ambliopia é tratada com a oclusão do olho de melhor visão com a finalidade de melhorar a visão do olho desviado. Se a ambliopia for detectada nos primeiros anos de vida, o tratamento tem um bom índice de sucesso. “Entretanto, se o tratamento é iniciado mais tarde, a ambliopia e a baixa visual poderão ser definitivas”, esclarece Maria Carrari.
Tratando o estrabismo:
Durante a infância, as crianças devem ser examinadas com regularidade pelo pediatra e pelo oftalmologista com a finalidade de detectar problemas oculares, especialmente se houver um histórico familiar de estrabismo. “Mesmo pais observadores poderão não perceber o estrabismo, sem a ajuda de um oftalmologista. Às vezes, pode ser muito difícil fazer o diagnóstico do estrabismo”, alerta a oftalmologista Laura Duprat, que também integra o corpo clínico do IMO.
Hoje, preventivamente, o ideal é que o oftalmologista possa examinar os olhos dos recém-nascidos, pois se o exame ocular é adiado até a idade escolar, às vezes, poderá ser tarde para o tratamento do estrabismo e da ambliopia. “Ocasionalmente, o estrabismo poderá ser secundário a uma catarata, um tumor intra-ocular ou um tumor cerebral. É muito importante que o oftalmologista possa diagnosticar estas patologias o quanto antes, pois assim estas moléstias poderão ser tratadas e o estrabismo corrigido”, afirma a médica.
O tratamento do estrabismo visa preservar a visão, manter os olhos paralelos e recuperar a visão binocular da criança. “O tratamento vai depender do tipo de estrabismo diagnosticado”, informa a oftalmologista Laura Duprat, que também é especializada em oftalmopediatria. Após um exame oftalmológico completo, incluindo também o de fundo de olho, o oftalmologista indicará o tratamento clínico, ótico ou cirúrgico do estrabismo.
As duas formas mais comuns de estrabismo são a esotropia, onde os olhos são desviados para dentro, e a exotropia, quando o são para fora. “A esotropia é a forma de estrabismo mais comum em crianças. As crianças que nascem com esotropia não aprendem a usar os dois olhos ao mesmo tempo e podem não enxergar bem do olho ‘mais fraco’. Em alguns casos, é necessário uma cirurgia precoce para colocar os olhos paralelos, na tentativa de obter visão binocular e prevenir a perda permanente da visão no bebê ou na criança”, explica Laura Duprat. O objetivo da cirurgia ocular é ajustar a tensão muscular em um ou ambos os olhos, com a finalidade de mantê-los alinhados.
Na esotropia, que ocorre após os dois anos de idade, uma causa freqüente para o aparecimento do estrabismo é a alta hipermetropia. “Estas crianças são geralmente hipermétropes, têm capacidade de focalizar a imagem e compensar a hipermetropia, o que permite que enxerguem de longe e de perto. No entanto, algumas crianças desviam os olhos para dentro na tentativa de focar objetos. O uso de óculos que corrigem a hipermetropia reduz a necessidade desta focalização, mantendo assim os olhos paralelos”, diz a oftalmopediatra.
A exotropia ou o desvio divergente dos olhos é outra forma comum de estrabismo. Ocorre mais freqüentemente quando a criança está fixando objetos distantes. Pode ocorrer de forma intermitente, especialmente quando a criança está doente, cansada ou relaxada. Os pais poderão notar que um dos olhos desvia-se, quando a criança está em ambiente muito claro. “Apesar da alternativa do uso do óculos, a cirurgia poderá ser o tratamento mais comum”, diz a médica.
O tratamento cirúrgico do estrabismo não substitui o uso dos óculos nem o tratamento da ambliopia. Após a cirurgia, os olhos poderão estar quase, mas não perfeitamente paralelos, apesar da avaliação clínica completa e da boa técnica cirúrgica. “Nestes casos, o ajuste final dependerá da coordenação entre os olhos e o cérebro. A hipercorreção ou a hipocorreção poderão ocorrer e uma nova cirurgia poderá ser necessária”, explica Laura Duprat.
A cirurgia precoce é indicada para correção do estrabismo em crianças menores, porque assim elas poderão desenvolver normalmente a visão, assim que os olhos forem alinhados. “À medida em que a criança cresce, diminuem as chances de conseguir desenvolver a visão binocular. E mais, o defeito estético causado pelo ‘olho torto’, ou ‘vesgo’ pode ter um efeito negativo na auto-estima da criança”, reforça o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor-clínico do IMO.
IMO – Instituto de Moléstias Oculares - O Instituto de Moléstias Oculares, IMO, é hoje uma das referências internacionais no tratamento oftalmológico, especialmente, nas áreas de diagnóstico, cirurgia e terapia. A clínica localiza-se na cidade de São Paulo, na Avenida Ibirapuera, é formada por uma equipe de profissionais altamente qualificados e devidamente credenciados junto às sociedades e instituições de classe nacionais e internacionais. Dispõe de condições ideais para atender com excelência o público, desde a infância até a terceira idade. Por manter convênios com mais de 60 planos de saúde, pode realizar um atendimento amplo e diversificado à população.
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