Onde estás formosa vagabunda?!
Nas noites dos sonhos mais febris
Quando o desejo meu coração inunda
Priva-me dos teus beijos cor de anis
Por ti, morreria agora
Não sentirias nenhum pesar
Aguardar-me-ia noutra aurora
Num eterno e eterno retornar
A tua jornada é sempre errante
Quantas almas tem consumido
Todo coitado que por ti se encante
Renasce como anjo decaído
Não te julgues tão poderosa
O teu rosto já foi desvelado
Quando me deste uma negra rosa
Adormecendo ébria ao meu lado.
--------------------------------------------------------------------------------
Ninguém me acompanhou
Na minha retirada
Nem sequer procuraram
A chave do crepúsculo
Por isso eu sigo
Pela sombra
E moro
No esgoto
Aos cães sarnentos
Confio os meus segredos
E falo apenas
Através dos olhos
---------------------------------------------------------------------------
Eu
Sou o corvo
Que pousou
Na cruz.
Vi Ele tremer
Diante da morte
Por que seria
Diferente?