Deus e filósofos da antiguidade
máitres e chefs da atualidade
degustadores de plantão
doutores do coração;
sirvam-me com carinho
um cálice de vinho.
Pode ser o vinho dos frades barrigudos
pode ser o vinho dos gregos sisudos
pode ser o vinho dos romanos absurdos,
qualquer vinho alimenta minha alma
qualquer vinho alonga minha calma.
Pode o álcool desta taça
não salvar a humanidade
mas pode um pouco de graça
nos restituir a igualdade.
Sou do signo do amor
também sou poeta da dor
descobri meu paladar na solidão
colhendo uvas de um parreiral
que madrugava em minha mão.