Quando outrora fluía poesia aos favos
e os jovens maduros de sexo se incendiavam
e o rio corria elegante junto aos bosques,
a vida
era mais serenata
transcendência e pé no chão.
Mais gordos os poentes recheavam as tardes
mais saudáveis os velhos namoravam as praças
e a vida era mais brisa
sedução
emoção e bons tempos.
Quando outrora o amor tinha pulmões
e cantava a carne pura da terra
e mais limpa soava a palavra do coração,
a vida era mais saúde
canção
euforia e harmonia.
Nos resta hoje polir o verniz da memória
trocar as cordas gastas do violão,
divagar no amarelo da fotografia
sorrindo
em televisão
vídeo
dvd
game e muita
muita
solidão.
Do livro do autor: Vinte anos de poesia