Gosto de ti indócil
pedra dura
pálpebra nervosa contra
a dor escura
que brota dos porões da alma
retorcendo as carnes
com calma.
Redemoinho de espumas
no lombo do mar
trêmulas coxas de óleo
ardor e afã
esqueleto de folhas
no vendaval
gosto de ti carnaval
samba de cachaça.
Selvagem criatura
pequeno ser
entre Deus e a sepultura
gosto de ti agitada
a revirar os olhos meus
sem parcimônia ou cerimônia
no coração da madrugada.
Do seu livro: Vinte Anos de Poesia