A jornalista Paula Coruja, 27 anos, sempre morou em Gravataí. Saiu da cidade para encarar um novo e empolgante desafio: foi convidada para trabalhar em uma agência de notícias chinesa. “Com toda a atenção que está sendo dada a China hoje, nem pensei duas vezes. Fiz minhas malas e desembarquei em Beijing em dezembro de 2007”, conta. Paula comenta que as Olimpíadas, que acontecem na China no próximo mês, são o principal assunto naquele país. “Beijing respira olimpíada!”, afirma.
Ela trabalha corrigindo e editando textos produzidos por chineses que falam português. Também produz matérias que são disponibilizadas no sistema da agência ou diretamente vendidas para alguns jornais do Brasil. Além disso, tem um blog
http://www.comendodepalitinho.blogspot.com sobre a Ásia, em parceria com sua colega e amiga Janaina Silveira.
Aldeia
“Toda a minha família é da Aldeia. Cresci na cidade, estudei nos colégios Dom Feliciano e Bradesco, fui do CLJ, escoteiros e banda das duas escolas. No ensino médio me formei no Magistério, há dez anos”, diz ela, que nasceu em Porto Alegre, mas sente-se uma legítima gravataiense.
Em 1998, Paula ingressou no curso de jornalismo da Unisinos, onde se formou em 2003. Fez estágio em diversos locais, entre eles a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Gravataí. Trabalhou também na Assembléia Legislativa e no jornal Zero Hora.
Adaptação
Ela conta que sua adaptação ao novo país foi boa, apesar das diferenças culturais. “Eu já tinha uma amiga morando na China, com quem divido o apartamento, que acabou me apresentando tudo de uma maneira tranqüila, mas curiosa”, relata.
Conforme Paula, a comida causa estranheza para quem está acostumado com arroz, feijão, bife e batata frita. “Mas é uma delícia. Gosto muitíssimo”, revela. Para ela, o mais difícil mesmo é agüentar a saudade. “É sempre proporcional à distância de casa, da família e dos amigos”, compara.
Mandarim
O idioma do novo país é outra dificuldade citada pela jornalista. “A comunicação é mímica!”, brinca. No trabalho não tem problemas, pois os chineses que falam diretamente com ela sabem português. Com os outros funcionários da agência e o grande número de estrangeiros que conheceu, conversa em inglês. “O mandarim é danado. Estudei nos primeiros meses, mas parei: uma vez por falta de professor e agora por falta de tempo. Sei falar e entender o básico para sobreviver, mas a gente segue tentando”, diz.
Retorno
Paula pretende voltar ao Brasil, mas acredita que ainda não chegou a hora de retornar. “Minha casa é o Brasil, por mais que eu adore a China. Em dezembro acaba meu contrato na agência, mas ainda quero ficar. Um ano é muito pouco tempo para morar aqui. Esse país é muito grande, diferente, tem uma cultura muito rica. Merece que a gente passe mais tempo descobrindo”, afirma.
Beijing Huangying ni
A expectativa para as Olimpíadas aumenta a cada dia entre os chineses, relata Paula. Ela salienta que o povo do país é receptivo. “São muito queridos, sempre cordiais. Enxergam um estrangeiro na rua e abrem logo o sorrisão e dizem ‘welcome’, sem medo. Os que não falam inglês não hesitam em dizer ‘Beijing Huangying ni’ (seja bem-vindo a Beijing)”, descreve.
Na torcida
Segundo Paula, os chineses esperam um grande desempenho do país nas competições. “Eles investiram tudo para brilhar nesse momento. É muito bacana poder presenciar isso”, refere ela, que pretende acompanhar de perto os jogos.
Na torcida, Paula ficará com o coração dividido. Vai vibrar pelo Brasil, mas pela China também, principalmente naquelas modalidades em que não haverá representantes brasileiros. “Só vai ser complicado o primeiro jogo do Brasil no futebol masculino. De cara é contra a China!”, completa.