A paixão pelas carretas tomou conta do coração de Maurício Bitelo quando ele era criança e observava o avô Osório Bitelo partir para Cachoeirinha com a carreta carregada de frutas. O destino era a fábrica de Conservas Ritter, que comprava a produção dos moradores do distrito de Santa Tecla. Hoje, Maurício continua usando as carretas no trabalho e é o coordenador da Pousada dos Carreteiros, evento de Gravataí que busca preservar a tradição das carretas.
Retrato e Parecido:
Todos os dias, bem cedo, Maurício, de 46 anos, vai com a sua carreta para a roça buscar alimentos para os animais. Os bois, chamados Retrato e Parecido, já sabem o caminho. Quando coloca a canga nos bois, Maurício relembra do avô. “Essa é a mesma canga (peça colocada no pescoço dos bois) que ele usava. Foi feita em 1934, e eu fiquei com ela como herança”, conta. Quando retorna, com a carreta carregada de pasto, ele reparte o trato entre as 20 cabeças de gado de sua propriedade.
Preservar a tradição:
Essa atividade é quase um lazer para Maurício, que é um grande incentivador do uso da carreta entre os agricultores da Santa Tecla. “A carreta é usada nos locais onde o trator não entra ou para carregar as mercadorias da roça até o local onde está o caminhão. Serve muito. E agora, com a Pousada do Carreteiros, está sendo usada também para lazer e para preservar a tradição”, ressalta.
Maurício lembra que até pouco tempo atrás o pessoal tinha vergonha de sair de carreta. “Mas agora, com a Carreteada do Morro Agudo, a Carreteada da Lomba Grande de Novo Hamburgo e a nossa Pousada, as famílias sentem orgulho em desfilar nas suas carretas”, completa.