Uma das características marcantes das sociedades desenvolvidas é o zelo com que preservam seu passado, com que guardam os registros daquilo que lhes é peculiar, com que valorizam sua história, sua tradição, sua cultura. Sempre vi o nosso Rio Grande do Sul como o ponto de encontro de circunstâncias históricas excepcionais, invulgares estadistas, homens e mulheres de fibra incomum, num cenário deslumbrante que se desenha em tensa encruzilhada geográfica.
Por isso, adotamos um conjunto de providências e ações voltadas para a valorização da nossa história e da nossa tradição. Estou convencido de que quanto mais avançamos e mais progredimos na direção do moderno, tanto maior precisa ser nossa dedicação em preservar o que fomos, o que somos, o de onde viemos e o que nos fez chegar até aqui. Seria desastroso para nossa identidade, se o progresso abrisse um inaceitável abismo com nossas origens e, em especial, com os valores que integram nossa mais nobre tradição. A Semana Farroupilha é um momento culminante do nosso trabalho pela valorização da história gaúcha.
Os homens e mulheres de 35, sabemos todos, tinham sobradas razões para a valorosa e desigual luta em que se empenharam. Mas não só de razões se fez a Guerra dos Farrapos. Nela, o Rio Grande entra inteiro, com seu território, sua topografia, com sua cultura, sua bravura, suas tradições, seus valores e seu tipo humano. E é por isso que não existe no contexto da Federação brasileira, outra unidade federada com identidade tão própria e tão meritória integração ao Brasil. Somos gaúchos e brasileiros. Somos brasileiros e gaúchos.
Temos nos empenhado em valorizar a Semana Farroupilha e em fazer dela um momento especial de reencontro do povo gaúcho com suas origens. O Estado, a cada comemoração, se cobre, mais e mais, com o verde, o amarelo e o vermelho da nossa bandeira. Neste ano, além dos desfiles costumeiros, que se tornam cada vez maiores e se multiplicam em todo o Estado, estaremos realizando, diretamente através da ação do governo, desfiles temáticos já em 15 municípios.
Mas se somos beneficiários desta herança, ou, como ensina o poeta, somos "almas dessas sesmarias", somos, também, construtores da sociedade contemporânea, comprometidos com o futuro, com as gerações que virão e às quais queremos confiar um Rio Grande mais próspero e mais justo. O Vinte de Setembro é o resumo da história de lutas e vitórias do povo gaúcho.