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Pauta Desgastada
* Jorge Eduardo de Azevedo ( Marinheiro ) ( 20/07/2006 )
Às vezes eu fico transtornado com as besteiras que leio em jornais. Das barbaridades que vejo na TV e etc...
Nossos representantes não falam coisa com coisa. Nos enrolam sempre. A demagogia prevalece. Eu, “o povo” assisto e aplaudo. Que legal. É nossa salvação!

Vejo gente com fome. Vejo crianças sem escola. Vejo velhos na rua, estradas esburacadas e muitas outras coisas que também vejo mas que me esforço para fazer de conta que está tudo bem, pois gostaria que fosse assim. E aplaudo meus dirigentes...

O dinheiro corre solto. Mas claro, longe de mim que sou o povo. O dinheiro nem passa por mim. Mas me conforto, outros estão usufruindo. Muitos problemas estão sendo sanados, senão para onde estaria indo esse dinheiro todo?

Por um lado, temos nossos problemas diários que não são de hoje, pois há muito tempo nos acompanham, e por outro os futuros que por certo também serão empurrados com a barriga. Mas nossos dirigentes estão de plantão e com certeza pensando em “solucioná-los”.

Quer ver? Não sou a favor de que acabem com o verde, muito pelo contrario. Sou simplesmente contra essa pressão que fazem sobre qualquer pessoa que, na boa e costumeira intenção que é a poda, não podem mais fazê-lo sem o devido consentimento público. O que é abuso de poder. Sou contra essa arbitrariedade que não nos dá escolha. Como se a razão estivesse sempre do seu lado. Do lado dessa “autoridade” que apenas sabe fazer imposições, de maneira como se só assim as coisas poderiam funcionar.

O verde é necessário! Ele sempre foi. Mas do jeito como nos impõem as coisas, parece que somente eles sabem disso. Que devemos ser policiados para que não façamos nada errado. É justamente esta humilhante imposição que me deixa puto da vida. São gente que nós mesmos colocamos lá, nos tiram como cus-de-cachorro como se fossemos analfabetos.

Existem setores que não justificam sua existência. Instituições, Regiões e Estados Federativos que nada produzem. Talvez, é claro, justificáveis, pois como poderiam ser usados com fins eleitoreiros se fossem produtivos?

E assim levando em conta o poder que lhes foi delegado, nossos representantes governamentais nos enrolam sempre, nos incutindo a culpa e transferindo a nós o débito e o crédito, aos casos que nunca são solucionados. Mas povo satisfeito não vota nem perde tempo escutando mentiras de políticos que prometem melhorias em troca disso.

Já que falei de regiões que nada produzem mas que, são responsabilidade de todos nós, vamos clarear e tentar demonstrar como se paga essa conta e de que maneira:
Peguemos como exemplo, no meio do caminho, o soja. Sim, no meio do caminho, pois nesse estágio muita coisa já aconteceu.
O produtor compra a semente, os insumos, tais como fungicidas, pesticidas e outros agrotóxicos e, somando a estes, os fertilizantes e adubos, certo? No valor pago, já estão incluídos todos os impostos e contribuições às quais também são impostas. Pois tente não pagar para ver o que te acontece! Aí o produtor somará a estes, os custos de produção, que não são poucos. Imagine preparar a terra. Para isso terá que ser contratada força humana e empregar máquinas indispensáveis, desde o preparo do solo, o plantio e manutenção até a colheita. Leva muito tempo. Então esse maquinário e mão de obra permanecerá na lavoura.

Em fim a colheita. Mais contratos com funcionários e emprego de máquinas, encarecendo o produto.

Colheita concluída! Armazenamento e transporte à refinaria. Neste ponto do caminho, não chegamos nem ao meio da jornada desse “nosso” precioso bem. A cada repasse de produção são aplicados, os mesmos impostos, ou seja: - ISSQN, ICMS, a COFINS, CSLL, IR e PIS isso sem falar nas Leis Trabalhistas como: FGTS, INSS e, somando a estes, uma infinidade de outros tributos intermediários que ajudarão a encarecer nosso óleo de cada dia.

A refinaria por sua vez, ao processar os grãos, também terá seus custos industriais, comerciais e etc...

No término dessa etapa, para transferir o óleo ao mercado atacadista, toda aquela tributação salientada anteriormente, será calculada em seu preço final. Neste momento mais um imposto ao produto é atribuído, o IPI que elevará o preço ainda mais.

Feito isso, o atacado, por sua vez, fará a distribuição no varejo, quando todos os impostos serão pagos novamente. Mas ainda não acabou! Nós consumidores, para termos esse produto em nossa mesa, teremos que comprar esse óleo. Novamente os mesmos impostos serão embutidos no preço que nós pagaremos. Aí eu te pergunto:
Quem pagou a conta? Quem faturou?

Se tu sabes responder, me diga: - Para onde foi esse dinheiro todo? Se tu não sabes, como eu posso saber? Alguns falam que é gasto com a saúde. Outros dizem que é com o transporte, educação, segurança pública e até mesmo com safras futuras. Mas eu também ouvi falar que as coisas mudaram. Que as prioridades não são mais as mesmas e que a compra de votos e o financiamento de campanhas políticas dos partidos menos afortunados é mais eficaz, pois darão apoio depois quando chegar a hora, sem falar no pagamento das obras superfaturadas pelas grandes empreiteiras em troca de alguns trocados, e que até os mensalões da vida rendem mais.

Aí novamente eu pergunto: - Adianta reclamar? A quem reclamar? Quem me dará as respostas? Haverá alguém que fale a verdade, para que eu possa confiar?

Então nesta hora em que me encontro cheio de dúvidas, eu lembro que muitas outras pessoas da minha laia, pois somos cachorros para esses poderosos, já tentaram questionar estes nossos representantes, não obtendo nenhuma resposta. Somente acontece o contrário em épocas de eleição. Quando eles se colocam ao nosso dispor, nos implorando pelo voto.

Deste modo, já que, na verdade nada posso fazer, pois serei enrolado de novo, deixo como está e penso na vida que tenho. Nas escolhas que somente eu posso fazer, sem depender deles. Até mesmo mudar meu voto, meu partido. Não preciso dar satisfação a eles. Eu posso tirá-los de lá, colocando outros em seu lugar, e com sorte não me arrepender de novo.
* Revisado pelo autor em 28 de junho de 2007


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