O agente comunitário faz o primeiro contato com as famílias. É ele quem visita as casas coletando informações das famílias para levar para a equipe do ESF, que é composta por médico, enfermeiro, técnico em enfermagem, auxiliar de enfermagem, dentista, técnico em higiene dental, atendente de consultório dentário e entre quatro e seis agentes, dependendo da população.
Para trabalhar como agente comunitário é necessário residir na região onde desempenhará suas atividades. "As famílias vêem o agente como uma referência por estar mais próximo e, também, por que ele conhece as dificuldades da região", afirma o Secretário da Saúde, Rudymar Machado. Cada agente é responsável pelo atendimento de aproximadamente 200 famílias. As 42 pessoas que forem aprovadas no concurso para agente passarão por um processo de capacitação teórico e prático antes de iniciar os trabalhos.
O dia-a-dia de um agente comunitário:
Regina Maria Araújo, 37 anos e Adriana de Oliveira, 32 anos são agentes comunitárias da Unidade de Saúde Carlos Wilkens que atente o bairro Carlos Wilkens e a vilas Jardim Conquista, Jardim Vitória, Vila Márcia, Vila Regina e Vila da Paz. A primeira atua na função desde 2004, e a segunda desde o segundo semestre do ano passado.
Segundo Regina, o trabalho começa pela conquista da comunidade. "Primeiro temos que conquistar as famílias, depois, conhecendo melhor, ficamos a vontade para passar as orientações", explica. Entre os trabalhos realizados por esses profissionais, elas citam o encaminhamento de gestantes para o pré-natal, de mulheres para fazer os exames preventivos, conscientizar os pais sobre a importância da vacinação dos filhos, avisar sobre os exames que estão prontos. "Nós não podemos levar os exames nas casas, então, controlamos quando ficam prontos e avisamos as famílias para buscar", conta Adriana.
O acesso das famílias atendidas pelos agentes às consultas é feito através de agendamento. As pessoas que não podem ir até a Unidade de saúde não ficam sem atendimento médico. Sempre que o agente constata a necessidade de uma consulta, leva o médico até a casa da família. O mesmo procedimento acontece no caso dos curativos, quando são encaminhados auxiliares ou técnicos de enfermagem.
O número de famílias atendidas por cada agente comunitário varia de acordo com a região. Regina atende, atualmente, 190 famílias e Adriana cuida de 207. Cada família recebe, no mínimo, uma visita por mês. Segundo as agentes, os idosos e as crianças têm prioridade de atendimento e recebem até duas ou três visitas por semana, quando necessário. Todos os meses os agentes passam as informações de cada família atendida para a Secretaria Municipal de Saúde.
Além das visitas, os agentes formam grupos na comunidade. Na Unidade Carlos Wilkens existem grupos de hipertensos, de diabéticos, de saúde da mulher e de adolescentes. Nas reuniões dos grupos são realizadas conversas, dinâmicas, brincadeiras e palestras na própria comunidade.
Outra atividade organizada pelos agentes são festas em datas especiais com o objetivo de aproximar a comunidade. "Já estamos planejando uma para o Dia da Mulher", destaca Regina. Esses eventos acontecem na sede da Unidade de Saúde e contam com doações da própria comunidade.
Experiências Marcantes:
Para Regina, uma experiência que marcou o seu trabalho como agente comunitária foi o atendimento de uma gestante hipertensa que já havia perdido dois bebês. "Quando a conheci ela já estava grávida de três meses. Ela me contou a história das experiências anteriores e eu dei as orientações necessárias e monitorei a gestação semanalmente", contou.
O caso de um senhor idoso e diabético que "usa oxigênio" foi o mais marcante na opinião de Adriana. "A situação dele era muito complicada quando o conheci. Hoje ele não tem mais diabetes e ganhou um novo aparelho de oxigênio para facilitar a sua vida. Hoje, ele me vê como uma filha", conta emocionada.