Após duas horas e meia de espera na fila do Banrisul, neste 02 de janeiro de 2007, terça-feira, depois de assistir a uma senhora idosa e com grandes dificuldades de locomoção ter conseguido um "favor especial" de um gentil funcionário deste estabelecimento bancário, que lhe forneceu um copo de água para beber, e da mesma forma uma mãe ter podido encaminhar uma criança de 4 anos a um banheiro, depois de consultar funcionários do banco, entreouvi de uma pessoa que estava na fila um comentário indignado: - Isto é uma vergonha para a nossa cidade.
Eu diria mais. Isto é um desrespeito com o cidadão. Vamos analisar os fatos:
- A última pessoa a entrar na fila entrou no banco às 15:00hs, pois nesta hora a porta foi fechada como em todos os dias. Este cidadão foi atendido às 17:45hs, o que nos indica que este foi o tempo médio de atendimento neste dia.
- Como não existem cadeiras suficientes para todos, as pessoas permaneceram em pé por praticamente três horas.
- O estabelecimento não fornece banheiros para seus usuários.
- Da mesma forma não existem bebedouros.
- O ar-condicionado estava operando com restrições, conforme informações dos próprios funcionários do banco.
Além do exposto acima, a gerência local do Banrisul de Cachoeirinha teima em descumprir as poucas leis existentes no sentido de tentar proteger o cidadão:
- Apesar de já ter o estabelecimento sido multado por descumprir a lei das filas, esta gerência se comporta como se ela não existisse.
- A regulamentação, com a necessária alteração, do horário de funcionamento dos estabelecimentos bancários, já foi tentada várias vezes em Cachoeirinha e os Bancos simplesmente não aceitam e usam todas as armas ao seu alcance para não acatar esta regulamentação.
- A lei que dá preferência aos idosos, deficientes e grávidas, é tratada por esta gerência de uma forma que mais parece um deboche para com quem a criou e para com os próprios beneficiários da mesma. Em vez de dar prioridade a estas pessoas, a referida gerência mantém um caixa exclusivo para elas, que na maior parte do tempo, em vez de diminuir aumenta o tempo de atendimento às mesmas, tornando mais conveniente o atendimento pela fila única. No que muito colabora o fato de que é freqüente ver-se empresários ou funcionários de empresas utilizando o referido caixa para os procedimentos bancários das respectivas empresas, o que caracteriza novamente o descaso da gerência deste banco para com as pessoas a que se refere esta lei, pois não se justifica tal procedimento, considerando que, mesmo que estas pessoas tenham idade cronológica compatível com a lei, a palavra IDOSO não se refere a empresários ou seus funcionários, em pleno gozo de suas faculdades físicas e intelectuais, como testemunha o fato de que estão em plena atividade produtiva.
Como agravante ainda tem o fato de que o atendimento a um representante de uma empresa exige maior tempo de atendimento, pois o idoso, grávida ou pessoa deficiente quando se dirige a um estabelecimento bancário, o faz para saldar uma ou duas financeiras ou, na maioria das vezes, apenas para retirar os seus parcos recursos provenientes de aposentadorias, que estão em conta corrente ou poupança, ali comparecendo uma ou duas vezes por mês e exigindo do funcionário apenas um pouco mais de atenção e paciência, enquanto no caso destes privilegiados representantes de empresas ou empreendedores, o uso destes caixas é bem mais freqüente e com um número bem maior de procedimentos (liquidação de títulos, pagamento de tributos e obrigações, etc.).
O tratamento que o BANRISUL dispensa a estas pessoas se parece muito mais com discriminação, isolando-as em um caixa separado para que não atrapalhem o andamento normal dos outros caixas, do que com o cumprimento da referida lei de proteção a elas que, pela sua condição física temporária ou permanente, necessitam desta proteção.
Realmente. Eu diria que não só é uma vergonha para a cidade como é uma vergonha ainda maior para o nosso estado, pois trata-se de uma instituição pública, administrada pelo governo estadual. Mas pensando bem, talvez não seja bem assim.
Podemos analisar alguns fatos:
- Toda empresa estabelecida no município, além de pagar por um alvará de licença de localização para sua implantação, ainda tem a obrigação de renovar este alvará de funcionamento uma vez por ano.
- Se a empresa não cumprir requisitos estabelecidos pela municipalidade, de acordo com o seu ramo de atuação, estipulados pelas respectivas Secretarias Municipais como Saúde e meio ambiente, Industria e Comércio, etc., terá seu alvará cassado ou negado, impossibilitando assim seu funcionamento. Temos inclusive um caso recente de um posto de gasolina, que após implantado na Rua Caí, teve seu funcionamento impedido supõe-se que por não estar cumprindo determinadas normas legais referentes ao meio-ambiente. Portanto não é verdade que o município não tem poder para regulamentar, fiscalizar e fazer cumprir esta regulamentação.
Se os estabelecimentos bancários são, como alegam, controlados e regulamentados por órgão federal, o combustível também o é, e nem por isso a municipalidade não tem nenhum poder de regulamentação sobre os mesmos. Um como o outro dependem de licença da Prefeitura Municipal para o seu funcionamento.
Por outro lado a presidência do Banrisul, assim como os gerentes das agências de cada município são cargos políticos, indicados pelo partido político atualmente no poder ou por um partido que faça parte da coligação. A presidência é indicada pelo Diretório Estadual e os gerentes pelos Diretórios Municipais. Em última instância a presidência do Banrisul é de responsabilidade do Governador do Estado do Rio grande do Sul, e estes partidos têm uma representação sólida na cidade de Cachoeirinha. Concluindo-se que existem sim, na cidade de Cachoeirinha, pessoas com influência suficiente para exigir politicamente um pouco mais de humanidade e respeito aos usuários deste banco por parte de seus administradores. Resta saber quais são estas pessoas.
Por parte do Governo do estado, o poder, e conseqüente responsabilidade, recai indiscutivelmente sobre o governo do Estado do Rio Grande do Sul, que está muito mal representado nesta cidade por seu braço mais aparente, o BANRISUL- O banco dos gaúchos, que inclusive não está honrando o compromisso declarado no seu site: “... o Banrisul procura desempenhar o papel de agente de desenvolvimento na sociedade em que atua, no caminho da ampliação das relações com empregados, fornecedores, clientes, comunidade e meio ambiente, contribuindo para a construção de uma sociedade MENOS DESIGUAL.
É nesta hora que o cidadão, sentindo-se “sem pai nem mãe” deixa escapar o seu desabafo de desespero “Isto é uma vergonha para a nossa cidade” –
Baseados em tudo que aqui foi dito, podemos chegar à conclusão que este é mais um dos problemas sem solução nesta nossa sociedade, que segundo Don Evaristo Arns não carece de solução, porque a solução não está na mudança da sociedade e sim na “criação de um novo homem, livre dos vícios dos opressores e da cegueira dos oprimidos”.
Como singela contribuição vou deixar aqui a minha sugestão:
O tribunal Superior Eleitoral-TSE, neste último pleito, além de cumprir exemplarmente sua missão de executor do nosso sistema eleitoral, ainda nos deu de lambuja uma lição no momento em que nos explicava, da maneira mais clara possível, o que é votar:
Nós somos os patrões, e em momentos determinados “abrimos vaga” para ADMINISTRADORES em vários níveis, nesta imensa organização chamada BRASIL, com suas subdivisões administrativas, que de uma maneira simplista de olhar são os estados e municípios, e outorgamos a eles tarefas determinadas.
Tudo deveria funcionar perfeitamente, se não houvesse uma pequena falha neste processo, os ADMINISTRADORES são contratados e imediatamente eles esquecem POR QUEM e PARA QUE foram contratados.
Aparentemente eles não lêem o contrato, e na sua ignorância das normas que regem este contrato, agem como se fosse um acordo de arrendamento, agindo em proveito próprio e usando estes cargos para obter os maiores lucros e vantagens próprios possíveis durante o período para o qual foram contratados, chegando ao absurdo de dar este tipo de tratamento desigual e desumano aos próprios patrões, que são aquelas pessoas que, ordeiramente, se dispõe a enfrentar uma fila e pacificamente aguardar o atendimento, em um estabelecimento que afinal é seu- pois o Banrisul não pertence ao estado? E aquelas pessoas na fila não são os patrões? Não foram elas que fizeram a seleção para, entre as pessoas que se candidataram ao cargo de Administrar o Estado do Rio Grande do Sul durante os próximos quatro anos, escolher apenas uma?
Visto isso, fica claro que ainda temos muito que mudar nas regras deste jogo – Para começar, em uma frase vou tentar responder a pergunta constante no título desta matéria -
Pergunta: Reclamar pra quem?
Resposta: Reclame para você mesmo, afinal quando você tem uma questão difícil para resolver com um vendedor de uma loja você não pede para falar com o chefe dele?